Quantos cosméticos é que eu realmente preciso? ( e quanto é que isso me vai custar?)


Já há muito tempo que tinha este post prometido a muita gente. Volta e meia alguém me pede conselhos sobre como escolher um produto de cosmética e às vezes gosto de pensar que é porque as pessoas prezam a minha opinião profissional. Se formos falar mesmo a sério, sei que no fundo é porque as pessoas sabem que eu digo TUDO, e procuro sempre a melhor pechincha. Pra ser sincera até acho que é uma reputação mais lisonjeira do que a primeira. Quando eu trabalhava, ficava muito constrangida quanto a este assunto porque eu era a sempre a pessoa da Farmácia que menos facturava em todos os relatórios. Gosto de poupar dinheiro às pessoas, pronto.

Hoje que não trabalho, já não tenho escrúpulos em dize-lo, ou em dizer em voz alta "vai antes comprar isto ao supermercado!" por isso aqui está:

Quantos cosméticos é que eu realmente preciso e quanto é que isso me vai custar?

Bom, pra termos o mínimo de estrutura nisto, vamos dividir por categorias. Vou fazer um post unicamente sobre cabelo/corpo e outro post sobre rosto. Para ambos vou fazer duas listas de compras: uma, tentando fazer a escolha mais económica possível (sem descurar qualidade) e outra sem qualquer tipo de orçamento (tudo aquilo que eu compraria para usar, se eu tivesse um orçamento infinito).

Estou a começar a escrever, portanto ainda não faço a mínima ideia quanto somará uma conta e outra, mas dando assim um educated guess, acho que consigo menos de 20€ para a lista económica e ai uns 80€ para a lista esbanjadora. 

Porque é que isto é relevante?

Muita gente acha que pra ter boa pele, e pra cuidar bem de si é preciso gastar muito dinheiro. Não é. Também não é suposto precisarmos de usar 15 produtos diferentes num dia. Se a tua pele precisa de 15 produtos diferentes para ter bom aspecto, das duas uma, ou não estas a usar produtos muito bons, ou estás a estragá-la com outras coisas (tabaco, álcool, etc.)

A cosmética tem um objectivo: ter uma pele saudável e com bom aspecto. Ora, uma pele saudável é, por inerência, uma pele de baixa manutenção. Se eu disser que às vezes passo dois ou três dias sem aplicar creme não me crucifiquem. Sabem porque é que eu me posso dar ao luxo de o fazer? Porque tenho uma pele saudável. Uma pele saudável dá-se ao luxo de sobreviver a um fim de semana sem nada! E é este o objectivo não é? Ter uma pele estável o suficiente para não sermos escravos da cosmética?

Então mas quantos cremes é que usas na pele, afinal?

Farmacêutica aqui, amigos. E nem sequer sou das mais hardcore, mas houve momentos da minha vida (quando trabalhava e várias das coisas vinham parar cá em casa de graça) que era capaz de usar à vontade uns 8-10 produtos diferentes num só dia. Hoje estou noutro extremo, muito mais confortável, e num dia bom uso talvez uns 3. (Ou num dia mau, se calhar os dias bons são os que não uso nenhum 😉)

Algumas regras básicas, antes de começarmos

Regra geral, a especificidade suplanta a o preço.

Que quero dizer com isto? Não adianta escolher um creme caro de farmácia, se ele não for o indicado para a tua pele. Se tens pele oleosa e compras um creme para pele seca, pode ser o creme mais caro do mundo que vai ser PÉSSIMO.  É preferível usar um creme de supermercado, específico para a tua pele do que um de farmácia que não é indicado.

Então mas e se eu não faço a mínima ideia de qual o meu tipo de pele? A solução mais simples? Vai a uma farmácia e pede a um farmacêutico que te ajude, mesmo que não vás comprar nada. Regra geral, não nos importamos de ajudar, mesmo que não vás gastar dinheiro. Vai de preferência a meio da tarde. Podes também perguntar se têm algum mini facial agendado para a farmácia. Normalmente são eventos gratuitos e podes ter uma avaliação à pele mais cuidada e também experimentar gratuitamente uma série de produtos. Ou então pergunta-me. Não parece, mas secretamente tenho um guilty pleasure me escrutinar peles. 

O preço não diz tudo (mas também diz alguma coisa)

Quando eu digo que se conseguem produtos bons e baratos não estou a mentir. Mas um creme bem escolhido de 5€, mesmo assim não é a mesma coisa que um creme bem escolhido de 30€. Eu diria que na cosmética a curva preço/qualidade é uma curva com um declive acentuado na primeira metade do gráfico, mas depois a partir de um certo ponto, atinge um planalto.  (ver exemplo abaixo, tenho a certeza que esta curva tem um nome qualquer. Raios, não me lembro.). Chega a um ponto que não adianta muito gastar mais dinheiro. Um creme de 300€ não é melhor do que um de 50€. Certamente não proporcionalmente ao investimento. Se a carteira nos permite, o ideal é encontrar esse sweet spot entre investimento e retorno garantido. Se não permite, então sim fazer escolhas económicas e conscientes (que eu também as faço muitas vezes!)




A segurança suplanta a eficácia.

Na minha perspectiva não adianta de muito fazer escolhas baseadas unicamente na eficácia do produto. (sendo que consideramos a eficácia como atingir a tal pele com aspecto saudável). Repara, de que adianta teres uma pele saudável se acabas por prejudicar a tua saúde de outra forma? (Hey, ainda ontem ouvi alguém a falar na Renascença que era contra vacinas, mas fazia cirurgias plásticas. Anestesias só porque sim, porque não? 😒)

É a velha dicotomia do aspecto saudável vs ser efetivamente saudável.

Qual das duas queres? Eu opto pela segunda.


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Edit: curva logarítmica, veio o meu marido dizer-me. 



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